Dinner at Restaurante Belcanto

Dinner at Restaurante Belcanto

at Belcanto on 9 February 2025
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São várias as razões porque o @belcanto_joseavillez merece ser o primeiro restaurante português galardoado com a terceira estrela Michelin.

O que separa o Belcanto de hoje do @restaurantfrantzen, @maaemo, @atrio.caceres ou @sketchlondon? A razão comparativa global responde: nada.

Em segundo lugar, a cozinha do Belcanto. Nos último anos tem mostrado uma grande progressão. E este menu não é excepção. Delicioso, centrado nos sabores e na identidade da cozinha portuguesa, o que mais gosto nestes tempos é o despojamento formal e a liberdade de fazer escolhas terem tomado conta do Belcanto. Menos é mais. E quem tem algo para contar, quem tem segurança, não precisa de lugares-comuns. De colocar 10 ingredientes no prato. Razão porque o prato de cozido - couve, caldo de cozido e lírio - é brilhante. Combinação explosiva de umami, em versão ugly delicious, poderia ter sido servido pelo génio iconoclasta que labuta no @prado_restaurante. Aplausos para o pregado, a fazer brilhar um ingrediente que deveria ser obrigatório em qualquer cozinha ambiciosa em Portugal: o arroz. Nas sobremesas, humor e hedonismo. A cabra espertalhona, que come a receita de chanfana do livro e foge para a árvore, é uma delícia com direito a sorriso de boca a boca. Sorrisos francos também na sala, da entrada à saída. Simpatia sem fingimento. Sem espartilhos e pedantismo. A hospitalidade nos grandes restaurantes deve ser assim, próxima e calorosa. Omnipresente mas quase invisível. Nos vinhos, a @nadiadesiderio e equipa contrariam a tentação intrusiva dos Sommelier-chatos. Estão ali para enriquecer a refeição, não para impor ou dar espectáculo pífio. Com presença amável e escolhas inteligentes, assim se acrescenta valor servindo grandes vinhos.

Última razão, o Território. Tenho orgulho que o José Avillez seja há anos o maior embaixador da gastronomia portuguesa no mundo. O seu sonho é servir arroz carolino, peixe português e colares, o Belcanto só poderia nascer neste país. E numa época cheia de cristãos-novos convertidos à portugalidade, lembrar que este é amor antigo. De quem sempre acreditou que Portugal tem uma história para contar.